2.10.2007

Nota de rodapé.

Descontentamento e desconstrução com comodismo e sensibilidade e indiferença e medo e tristeza e traição e surpresa e sofrimento e tentativa e cansaço.

Como é bom ter substantivos pra nomear o que se sente.

1.19.2007

Quase monólogo

O Céu intacto.
- Ai, essas nuvens tão ligeira...
- ...
- Vai chover, ainda hoje.
- Hunf... - a carinha de quem vai fazer uma gozação logo em seguida.
- Não tá vendo?!
- Nuvem ligeira? Nenhuma. Tá escurencendo, só! Ai, ai... É cada coisa que eu tenho que ouvir...

Eles são engraçados quando eu não estou mal-humorada.

1.18.2007

Mais brainstorms


A respeito da última postagem, passei. Obrigada a quem assim desejou.
Tenho que ver 21 gramas e Amores Brutos ainda nessa semana. Tenho que ler dez livros por dia, pra compensar a falta do que fazer e dar tempo de fazer tudo o que falta até a data de volta.

A vinda foi a mesma de sempre, de sempre desde que saí daqui, há quatro anos. E sempre é a mesma coisa cotidianamente - existe essa? - e assim será quase que eternamente, até esse vilarejo parar de existir.
Esse, o vilarejo que me irrita, me acalma, me deixa melancólica e saudosista do que não foi, como sempre.
A falta do que fazer me deixa sempre mais criativa para projetos que nunca costumo realizar, como estudar, terminar a informática, pintar uns quadrinhos ou reformar as roupas todas do armário.
Hoje eu descubro que não há nada mais irritante do que a falta de gente, ou a presença de gente desinteressante, desinformada, desnecessária. Ouvi, na praia, que temos uma tendência - ou leve inclinação, ainda não sei qual o mais adequado - a nos viciarmos em determinadas pessoas e sentimentos. Fiquei com medo. Fiquei pensando que a melhor forma de espantar tal comportamento seria fingir que o mundo é perfeito como está e que nenhuma pessoa é necessária para a felicidade - ou desgraça - de outra; e que a nenhum sentimento se deva tanta devoção.

Hoje a programação do dia foi bem entediante, bem do jeito que vou sentir falta quando tudo recomeçar.
Sobre esse blog inútil, queria seguir a linha de tantos outros e fazer um poeminhas de rima fácil, ou contos de algumas linhas sobre personagens insólitos, mas, mesmo que queira, não consigo seguir o molde e me sinto escrevendo num diário - coisa que para mim nunca deu certo. Mas tudo bem, já que ele* acha que é o único que entra, vai ser o único a ler - ou não - e ele não precisa de muitas explicações.
Páro por aqui sem ter dito nada do que queria, mas um pouco melhor por me conformar com a inutilidade disso, deles, dos outros e de muitas outras coisa sobre as quais ainda dedico algumas linhas, algum dia.

12.04.2006

Ritmo Frenético


Vai corre, corre, você tem que marcar entrevista, fazer pauta, escrever mais rápido, ligar mais rápido, já ligou pro Fernando? Pra antropóloga? Pro secretário de educação? Já parou de chover, vai lá, faz, corre, corre, você só tem esses quatro dias, você tem que ser boa, fazer tipo um "feature", fazer uma coisa inovadora, que ninguém vai fazer, "é competição", o que é isso que eu tô fazendo?, tô com fome, minto, tô com sede, minto, tô desesperada!, tô querendo fazer e não sai, quero fazer bem feito e ninguém quer marcar entrevista, eu quero uma pessoa abençoada pra fazer a pauta pro Entrevista 107, eu quero ajuda com isso, tô vendo que isso vai me render uma boa dor de cabeça, úlceras estomacais, estresse múltiplo e dor nos dedos e nas costas e nos ouvidos e em tudo, e em tudo, e agora? Ninguém me liga de volta, nem me responde, eu preciso disso pra agora, pra ontem!, eu quero que fique bem bom, eu quero baixar umas músicas, mas o que que eu tô fazendo nessa porra de MSN, de Orkut e de Fotolog?! Ela falou que "tomara que minhas úlceras valham a pena", tomara, tomara, fluxo de consciência, agora não!, eu tenho que estar ocupada, agora, mas qual o enfoque, ih, não deu certo, já era essa pauta, ih, tá acabando o dia, tá anoitecendo, a antropóloga, não falei com ela, e agora?, e agora que amanhã eu corro atrás de alguém na UEL, mas acabaram as aulas!, e agora? Calma, calma, por que cê tá nervosa? é sé uma matéria pra rádio, é só uma matéria, vai dar tudo certo, vai dar tudo certo, calma, calma...coração apertado que nem em dias ruins, tomara que seja bom sinal, meu Deus, o que é cultura popular?!

Brainstorm verídico, isso que é o pior.

11.30.2006

Hey!

Foto por Guy Bourdin


Mamma said I can forgive you. Oh, how I miss being "linked".
Hihi.

11.28.2006

Trip que o pariu!

Tava à toa na vida numa segunda à tarde.
Fuça de lá, de cá, eis que surge mais um blog de jornalista ou afim pr'eu perder uns minutos.
Perder uns minutos, nada.

Primeiro vi as chamadas para as matérias e as legendas das fotos, não teve como.
Li, reli, mandei o link pelo MSN pra uma série de amigos e para minha mãe - que mora ali, pertinho de Celebration, ao que tudo indica.
Paguei um pau, mesmo.

O blog de Bruno Torturra Nogueira tem um pouco de tudo, e muito de sarcasmo e bom humor.
Pô, ele foi pro buteco com Jaguar; entrevistou o organizador da "Parada Internacional do Orgulho Pedófilo, Necrófilo, Zoófilo e Coprófilo"; conferiu a pira da Celebration e do INRI Cristo, zoou os atendentes de telemarketing - ai, se Janaína visse isso! - e apresentou consolos "divinos".
E por falar em Celebration, essa é a foto do planejamento da cidade-perfeita. Possivelmente, a inspiradora do Show de Truman (er).

Quer ler? Queira!, não tem muito texto e tem bastante foto! (hauhau)
Vai por aqui, ó: http://fudeus.wordpress.com/


Legenda: "Disney em pessoa apresenta em um estranhíssimo vídeo de 1965 sua idéia de cidade perfeita: A EPCOT, a anti-Celebration que, anos depois, virou parque".

11.23.2006

Pra que mais um?

Daquela revolta básica de TPM.
Daqueles dias que páro para pensar na vida.
Ô, insignificância do inferno. Ô, vidinha besta.

Tem gente que existe e seria melhor se nunca cruzasse nosso caminho.
Tem gente que existe e nem parece, ou aparece.
E é bom aparecer? Às vezes, por que não?

Dos meus exemplos de virtude, caráter e polidez, guardo muito carinho.
Mas o tempo em que fazíamos amizades à beira do caminho não voltam mais.
Devem ter existido só na minha imaginação de infância, com um amigo imaginário que agora imagino. Tô confusa, tô prolixa, tô falando com as paredes besteiras sobre o nada.

Tem gente que, de tão boa e acertada pra gente, dá até raiva - e se enjoa fácil
Qual a graça se não houver desavenças, contrastes, contrapontos?
Pondo tudo na balança, à essa altura, vejo que igual quase nunca se soma, só diminui.
Diminui liberdade, vontade, tesão, mesmo.

E sei lá, parei por hoje.
Deixo o restinho de cólera pelo nada para a próxima sessão.